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A (grande) distância entre o Real e o Ideal…

| Carlos Panni Médico e escritor Sonhos são perfeitos, a realidade precisa ser trabalhada para se aproximar, cada vez mais, da pretendida perfeição. Esta é uma importante percepção da vida para que ela seja menos frustrante e mais promissora. Precisamos saber lidar com as diferenças e com o que julgamos imperfeito em nós e, principalmente, […]

A (grande) distância entre o Real e o Ideal…

| Carlos Panni
Médico e escritor

Sonhos são perfeitos, a realidade precisa ser trabalhada para se aproximar, cada vez mais, da pretendida perfeição. Esta é uma importante percepção da vida para que ela seja menos frustrante e mais promissora. Precisamos saber lidar com as diferenças e com o que julgamos imperfeito em nós e, principalmente, nos outros. Pode parecer estranho, mas é muito mais fácil amar um retrato do que amar a pessoa com toda a sua individualidade e complexidade. Amar a fotografia do pai, da mãe, dos filhos, do artista preferido ou do amigo predileto é muito fácil…

Um retrato é estático, não tem vida própria e, por isso mesmo, jamais contraria a nossa vontade. Não espirra, não tosse e não nos acorda de madrugada com febre, com frio ou com desejos… pelo contrário, está sempre onde o colocamos, numa moldura bonita, com um belo sorriso e uma atraente paisagem de fundo. Detalhe importante: – o retrato só nos faz lembrar momentos felizes, a não ser que sejamos tão desajustados a ponto de guardar a foto daquela pessoa que nos fez ferver de raiva. Pior ainda é andar com a foto de uma calamidade entre os seus valores, na carteira ou na bolsa. Por incrível que possa parecer, há quem o faça. Masoquismo puro!

Voltando às coisas boas, como é bom relembrar momentos agradáveis reunindo a turma de formatura, a festa entre amigos, a família em torno de um bolo de aniversário ou “agarrados” à pessoa amada naquela viajem inesquecível… Amar a pessoa é bem mais complicado. Exige muito mais de nós por ser um exercício diuturno de compreensão, tolerância, flexibilidade, resignação e maturidade… é o verdadeiro e construtivo “processo de aprendizado prático do amor”.

Diferentemente do que possamos imaginar ou querer, o amor, assim como o ideal e a perfeição, não é um produto pronto e acabado. Amor, ideal e perfeição não são como rosas de plástico que não têm espinhos, não necessitam de água ou cuidados…

O amor tem vida própria e leis específicas e nos cobra atenção, zelo e prioridades em todas as nossas decisões e escolhas… O amor é envolvente, gratificante, fantástico, extasiante… mas, como tudo que é grande e forte (e não há nada tão grande e tão forte), o amor é muito exigente. Não é a pessoa que exige, é o amor que é exigente, para ser real. Por isso é tão mais fácil “amar” uma fotografia do que amar a pessoa com quem convivemos. Com o retrato não precisamos dividir nada, a não ser alguns segundos quando lhe passamos o olhar saudoso. A pessoa que amamos quer de nós o que queremos dela:

Tudo!!!

Mas, exatamente por ser assim grande, forte e permanente é que o amor assusta. Estamos acostumados a buscar as coisas prontas, as dádivas milagrosas e as soluções mágicas para atender os nossos desejos e necessidades. O amor, ao contrário do que dizem as poesias, os sonhos e devaneios, não vem pronto e acabado, não é mágico nem milagroso, mas é grandioso e imprescindível…

É na realização do amor que a pessoa se realiza!

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Escrito por trcom

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